Estamos iniciando os debates sobre Agroecologia, aproveitando o espaço criado na ABA-Agroecologia, e gostaria de lançar um tema: Agroecologia é resistência ou construção? Vemos um esforço muito grande de experiências em práticas e técnicas agroecológicas, mas ainda é pequena a contribuição nos aspectos de construção metodológica e de espaços para a construção do conhecimento que saiam a abrir novos espaços. Estamos ainda confinados a uma Agroecologia agronômica, e faltam referencias sociológicos, ecológicos e antropológicos que empurrem a Agroecologia para um nível superior, capaz de competir de igual para igual com as as ciências anãs/disciplinares o reconhecimento da sociedade (traduzido também em mais espaços acadêmicos, mas recursos e mais aplicação nas políticas públicas e na prática social). Boa vontade não nos falta, mas capacidade de instalar uma sólida base teórica, para além dos conceitos e dos dogmas, e uma habilidade interdisciplinar de tradução da teoria à prática, e vice-versa, está longe de ser alcançada. Como construir um modelo integrado de ensino, pesquisa e extensão? Como aproximar formas de conhecimento tão distantes, saber local e conhecimento científico, e que por tanto tempo estiveram em forte antagonismo? Como ouvir atores e agentes em processos que de tão urgentes parecem pedir por formas diretivas de encaminhamento das políticas públicas. Queremos fazer 500 anos em 5, e acabamos não seguindo nossos próprios princípios: participação, tempo de transição e superação da simples substituição de modelos (e de insumos). Quem tem alguma sugestão?
Fábio Dal Soglio
